• Doença do Refluxo Gastro-esofageano (Hérnia Hiatal e Azia)

  • A doença do refluxo gastro-esofageano (DRGE) é uma desordem digestiva que afeta o esfíncter esofágico inferior (EEI), músculo que conecta o esôfago com o estômago. Muitas pessoas, incluindo as grávidas, sofrem de azia ou indigestão, causadas pela DRGE. Os médicos acreditam que algumas pessoas sofrem de DRGE provocado por uma condição chamada Hérnia Hiatal. Na maioria dos casos a azia pode ser aliviada através de dietas e mudanças de hábitos. Entretanto, algumas pessoas necessitam medicação e, até mesmo, cirurgia. Este boletim traz algumas informações sobre a DRGE, suas causas, sintomas tratamento e complicações a longo prazo.
  • O que é Refluxo Gastro-esofageano?
  • Gastro-esofageano se refere ao estômago e esôfago. Refluxo significa ir para trás, retornar.
    Logo, Refluxo Gastro-esofageano significa o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago.
  • Em uma digestão normal. O EEI se abre para permitir que a comida passe para o estômago, e se fecha para prevenir o retorno dos sucos gástricos ácidos e comida para o esôfago. O Refluxo Gastro-esofageano ocorre quando o EEI é fraco ou se relaxa inapropriadamente, permitindo que o conteúdo gástrico retorne para o esôfago.
  • A severidade da DRGE depende da disfunção do EEI, bem como do tipo e quantidade de fluidos que retornam do estômago, além do efeito neutralizador da saliva.
  • Qual é o papel da Hérnia de hiato?
  • Alguns médicos imaginam que a hérnia de hiato pode relaxar o EEI e provocar refluxo. A hérnia hiatal ocorre quando a parte superior do estômago sobe para o tórax, através de um pequeno orifício do diafragma (hiato diafragmático). O diafragma é o músculo que separa o estômago do tórax. Estudos recentes demonstraram que o orifício no diafragma funciona como um esfíncter adicional que envolve o esôfago terminal. Estudos também comprovaram que a hérnia hiatal resulta em retenção de ácido e outros conteúdos, acima do orifício diafragmático, o que facilita o seu refluxo para o esôfago.
  • Tossindo, vomitando, puxando, ou pressionando repentinamente, ocorre um aumento da pressão no abdômen, resultando em hérnia hiatal. Obesidade e gravidez, também contribuem para esta condição. Apesar de esta doença ser considerada de média idade e muitas pessoas sadias acima de 50 anos terem hérnia hiatal pequena, pode ocorrer em qualquer idade.
  • As hérnias de hiato, usualmente não necessitam de tratamento. Entretanto, o tratamento pode ser necessário se a hérnia corre o risco de ser estrangulada (ficar em situação torcida, cortando a circulação de sangue, ex.: a hérnia hiatal para-esofageana), ou é complicada por severa DRGE, ou esofagite (inflamação do esôfago). O médico pode indicar cirurgia para diminuir o tamanho da hérnia, ou prevenir o seu estrangulamento.
  • Que fatores contribuem para a DRGE?
  • A dieta e o estilo de vida podem contribuir para a DRGE. Algumas comidas e bebidas, incluindo o chocolate, menta, frituras ou gorduras, café, ou bebidas alcoólicas, podem relaxar o EEI, causando refluxo e azia. Estudos evidenciaram que o cigarro relaxa o EEI. Obesidade e gravidez, também podem provocar DRGE.
  • Com o que se parece a azia?
  • A azia, também chamada de indigestão ácida, é o sintoma mais comum de DRGE e usualmente se parece com uma queimação no peito, se iniciando atrás do osso esterno, se direcionando para o queixo e garganta. Muitas pessoas referem que se parece com comida voltando para a boca, com gosto de ácido ou amargo.
  • A queimação, pressão, ou dor de azia podem durar até duas horas e é freqüentemente pior após as refeições. Se deitando ou se encurvando, também pode haver azia. Muitas pessoas obtêm alívio se mantendo em pé ou ingerindo um antiácido que neutralize o ácido do esôfago.
  • A azia pode ser confundida com dor da doença cardíaca, ou ataque cardíaco, porém existem diferenças. O exercício pode agravar a dor de origem cardíaca e o repouso a alivia. A azia é raramente associada ao exercício.
  • Qual a freqüência da azia?
  • Mais de 60 milhões de americanos adultos têm DRGE e azia, ao menos uma vez por semana e aproximadamente 25 milhões de adultos sofrem de azia diariamente. Vinte e cinco por cento das mulheres grávidas têm azia diariamente e mais de 50% têm desconforto ocasional. Estudos recentes demonstraram que a DRGE em crianças é mais comum do que se imaginava e pode produzir vômitos recorrentes, tosse e outros problemas respiratórios, ou dificuldade de desenvolvimento.
  • Qual é o tratamento para DRGE?
  • Os médicos recomendam mudanças de comportamento e dietas para a maioria dos pacientes com DRGE. O objetivo do tratamento é diminuir a quantidade de refluxo, ou o dano à mucosa do esôfago, provocado pelo material refluído. É recomendado evitar comidas e bebidas que podem relaxar o EEI. Estas comidas incluem chocolate, menta, comidas gordurosas, café e bebidas alcoólicas. Comidas e bebidas que podem irritar a mucosa esofágica danificada, como frutas cítricas e sucos, produtos derivados do tomate e pimenta, também devem ser evitados.
  • Diminuindo as quantidades de comida ingeridas em cada alimentação, também pode ajudar a controlar os sintomas. Comer duas a três horas antes de deitar pode diminuir o refluxo, por permitir a redução da acidez gástrica e esvaziamento gástrico parcial. O aumento de peso pode, ainda, colaborar para a piora dos sintomas. Muitos pacientes obesos melhoram dos sintomas quando emagrecem.
  • O fumo também atua relaxando o EEI, logo, parar de fumar é importante para diminuir os sintomas na DRGE.
  • A elevação da cabeceira da cama, cerca de 12 cm, ou usar um colchão especial, reduz a azia, por permitir que a ação da gravidade diminua o refluxo de conteúdo gástrico para o esôfago.
  • Antiácidos, tomados regularmente, podem neutralizar a acidez do esôfago e estômago e parar a azia. Muitas pessoas utilizam-se de antiácidos, referindo algum alívio temporário dos sintomas. Antiácidos combinados com espumantes ajudam certos pacientes. Estes compostos, se acredita, formam uma barreira na parte de cima do estômago, que evita que ocorra o refluxo.
    O uso de antiácidos durante muito tempo, entretanto, pode resultar em efeitos adversos, incluindo diarréia, alteração do metabolismo do cálcio e do magnésio. O excesso de magnésio pode ser prejudicial para o paciente portador de doença renal. Em caso de ser necessário o uso de antiácidos por mais de três semanas, o médico precisa ser consultado.
  • Para o refluxo crônico e azia, o médico deve prescrever medicações que reduzam a acidez do estômago. Estas medicações incluem bloqueadores H2, os quais inibem a secreção ácida gástrica. Atualmente quatro bloqueadores H2 encontram-se disponíveis: cimetidine, famotidine, nizatidine e ranitidine. Um outro tipo de droga, o bloqueador da bomba de prótons (ou bomba de ácido), o omeprazol, inibe uma enzima necessária para a secreção ácida. O inibidor da bomba de ácido, lanzoprazol, é outra medicação disponível.
  • Outras medidas úteis na terapêutica da DRGE são as drogas que aumentam a competência do EEI e aceleram o esvaziamento gástrico, tais como a cizaprida, o betanecol e a metoclopramida.
  • O que fazer se os sintomas persistirem?
  • Pessoas com refluxo esofageano crônico, severo, ou com sintomas que não aliviam com o tratamento acima descrito, podem necessitar uma investigação mais completa. Os médicos utilizam vários testes e procedimentos para examinar o paciente com azia.
  • A Endoscopia Digestiva é um importante procedimento para pessoas com DRGE. Colocando um pequeno tubo com iluminação, acoplado a uma vídeo-câmera, no esôfago, o médico pode visualizar inflamação ou irritação da mucosa do esôfago (esofagite). Se os achados endoscópicos forem anormais ou questionáveis, uma biópsia (remoção de um pequeno fragmento) do esôfago pode ser de ajuda.
  • O teste de Bernstein (colocação de uma gota de ácido no esôfago médio) é freqüentemente realizado como parte de uma avaliação completa. Este teste confirma se os sintomas do paciente são resultado de acidez no esôfago. Estudos de manometria – medição da pressão do esôfago – eventualmente ajudam a identificar a diminuição da pressão do EEI, ou anormalidades na contração da musculatura do esôfago.
  • Para pacientes, em que o diagnóstico é difícil, os médicos podem medir os níveis de acidez no esôfago, através da avaliação do pH. Este teste monitora o nível de acidez do esôfago e sintomas durante as refeições, exercício e dormindo.
    Novas técnicas, de monitoração prolongada do pH estão melhorando a capacidade diagnóstica nesta área.
  • Há necessidade de cirurgia na DRGE?
  • Um pequeno número de pessoas com DRGE podem necessitar de cirurgia, devido ao refluxo severo e pouca resposta à medicação.
    A fundoplicatura é um procedimento que aumenta a pressão no EEI. Entretanto, a cirurgia não deve ser considerada até que outras medidas tenham sido tentadas.
  • Quais são as complicações da DRGE de longa duração?
  • Algumas vezes a DRGE resulta em sérias complicações. A esofagite pode ocorrer como resultado da grande quantidade de ácido gástrico no esôfago. A esofagite pode causar úlceras, que podem sangrar. Mais ainda, pode ocorrer estreitamento do esôfago, por cicatrização de lesões. Algumas pessoas desenvolvem uma condição chamada esôfago de Barrett, que é um dano severo na mucosa do esôfago. Os médicos acreditam que esta condição pode ser precursora de câncer de esôfago.
  • Conclusão
  • Apesar de a DRGE poder limitar as atividades diárias e produtividade das pessoas, raramente colocam em risco de vida. Com o conhecimento das causas e do tratamento apropriado, muitos pacientes terão alívio dos sintomas.
  • .

Av. Gonçalves Maia, 144 - Heliópolis - Garanhuns-PE - 87 3762-0809

HOME | CLÍNICA | SERVIÇOS | LOCALIZAÇÃO | FALE CONOSCO - Todos os Direitos Reservados - Proibida a cópia total ou parcial deste site